quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

cantos

Jangada coquinho, jandaia.
Ubuirapurinho
Verde dia, verde noite,
Igaraçú.
Solte maracanã gaçu.
Tropeiro, Troleiro.
Voa papagaio moleiro.

Dizem terra imunda, de folhagens de pé rasteiro.
Quem se diverte é o sagui de cara suja.
Trezentos e sessenta graus, pescoço de coruja.

Ararajuba, peito roxo,
como dizia meu avô:
''vá suá, meu filho''
rasteje pelos galhos, com patas de sauá.

Ver toda fauna, flora,
me sustenta a dó
Foge guigó.

Anacã, penugens de iansã,
curica como choro de cuíca
preso na cadência da artificial selva.
Nádegas vermelhas de urucum,
lacrimejam os olhos com seiva.
Saudade sinto vinda dos babuínos.

Pausa pra cerveja,
espero que os seres presos, nem a veja.

Araçari, Urumutum,
Araçari poca.
ai, se solto um,
direto à toca.

Araçari castanho.
Como soa meu trompete de estanho.
Cujubé Tucamuçu.
Canione de dorival
mutum da Bahia.

Tucano de peito branco
Bossa nova com alma branca.

jurura, Jaburú.
Toca pena branca,
tica corcoroba .
Aves ribeirinhas
presas inteirinhas.

Da cor da pedra
guará, que Deus
um dia soltará.

Maria-faceira.
Lembra-me minha avó,
rasteira e macumbeira.

Piton reticulada
suas vertebras inexistentes
tão bem articuladas.

Tamanduá-Bandeira
cauda de flamulas,
rastreando as ínfimas formigas
todas sem saber, sendo amigas.

Dos felinos o majestoso me fita
com olhos de fadiga.
Pra tamanha aparência
se esquecem da selvagem vivência.

Dormem feito felinos domésticos.
Como nossa colágeno acostumando-se
com os cosméticos.

Onça parda feita nossa pele
adaptada pro que é, pro que não é
parda adapta aquilo que nos repele.

Bigodinho, Tico-Tico.
caboclinho, tié preto.

tristeza pedindo liberdade.


( Caetano Rampinelli )

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